O Método DARE — Visão Geral
DARE — Metodologia detalhada
Documento canônico da metodologia. Implementações específicas (Cursor, Antigravity) seguem este documento como contrato. Mudanças aqui são breaking changes do método.
🧭 Princípios fundadores
DARE não foi inventado em vazio — é uma resposta a 3 problemas observados no desenvolvimento com IA em 2024-2025:
Problema 1: Vibe Coding escala mal
Quando você pede "me dá um código que faça X" pra IA e aceita o que vier, funciona pra protótipo. Mas em codebase real:
- Decisões arquiteturais ficam implícitas no código (não documentadas)
- Cada nova feature compete com inconsistências acumuladas
- Onboarding de novo dev ou nova IA volta à estaca zero
Problema 2: Especificação tradicional desperdiça IA
Se você escreve specs detalhadas como antes (com humano fazendo todo o pensamento), a IA vira só auto-complete sofisticado. Não aproveita capacidade real de geração.
Problema 3: Falta de checkpoints custa caro
IA + autonomia total + tarefa complexa = 30 minutos de tokens queimados produzindo código que vai contra o que você queria. Sem checkpoints, descobre tarde.
DARE resolve os 3 separando estratégia (humano) de tática (IA) com checkpoints obrigatórios.
📐 Os 4 estágios em profundidade
1. Design — o que e por quê
Quem: humano dirige, IA assiste com perguntas
Saída: DARE/DESIGN.md
Conteúdo esperado:
- Problema sendo resolvido (não solução — problema)
- Critérios de sucesso (testáveis)
- Restrições (técnicas, de negócio, de tempo)
- Não-objetivos explícitos (o que NÃO está no escopo)
- Personas e cenários de uso (se aplicável)
Anti-padrão: Design já contendo arquitetura ou implementação. Se você está escrevendo nomes de classe ou estrutura de pasta, isso é Architect, não Design.
Detalhes da fase 1 →
2. Architect — como
Quem: IA propõe, humano valida
Saída: DARE/BLUEPRINT.md
Conteúdo esperado:
- Decisões arquiteturais com trade-offs explícitos
- Stack escolhida (com justificativa)
- Estrutura de pastas / módulos
- Modelos de dados / contratos de API
- Pontos de extensão futuros
- Lista preliminar de tarefas (refinada na fase Review)
Anti-padrão: Blueprint sem trade-offs explícitos. Toda escolha exclui alternativas — quais foram e por quê?
Detalhes da fase 2 →
3. Review — aprovação humana explícita
Quem: humano (decisão), IA não participa
Saída: ✓ aprovação ou rejeição com feedback
O que fazer:
- Ler o BLUEPRINT.md inteiro (sim, inteiro)
- Confrontar com o DESIGN.md original
- Identificar premissas erradas, gaps, sobre-engenharia
- Aprovar OU pedir revisão (volta ao Architect)
Anti-padrão: "Skim review" — passar o olho rápido e aprovar. Cada bug arquitetural não pego aqui custa 10x mais nas próximas fases.
Detalhes da fase 3 →
4. Execute — implementação com Ralph Loop
Quem: IA implementa, humano monitora
Saída: Código + testes verdes
Como funciona:
- IA lê uma
task-NNN.md(extraída do BLUEPRINT.md) - Implementa o código
- Roda os Validation Gates (testes + linter + type checker)
- Se falhar: lê o erro, corrige, tenta de novo (Ralph Loop)
- Quando todos os gates passarem: ✓ task concluída
- Próxima task
Anti-padrão: Tarefas sem Validation Gates. Sem gates, "concluído" vira opinião, não fato.
Detalhes da fase 4 →
Ralph Loop em profundidade →
🔁 Quando voltar atrás
| Situação | Para qual fase voltar |
|---|---|
| Ralph Loop entra em loop infinito (mesmo erro 3+ vezes) | Architect — provavelmente o BLUEPRINT está errado |
| BLUEPRINT.md fica enorme e confuso | Design — escopo está mal definido |
| Aprovou Review mas a primeira task já mostra problema | Architect — Review foi superficial |
| Stakeholder mudou requisito | Design — não tente "patchear" — refaça |
Não é fracasso voltar atrás. É o método funcionando — você descobriu cedo, não tarde.
🚫 O que DARE NÃO é
- Não é Waterfall. Você pode iterar entre fases. Só não pode pular.
- Não é processo burocrático. Design + Architect somam 30-60 min pra feature média.
- Não é só pra equipe grande. Funciona pra dev solo (na verdade, é onde brilha — porque você é o único validador).
- Não é amarrado a uma stack. Funciona em qualquer linguagem, qualquer IDE, qualquer paradigma.
- Não é um framework de código. É um framework mental + templates de markdown + comandos opcionais.
📊 Quando usar
| Cenário | DARE faz sentido? |
|---|---|
| Feature nova em produto sério | ✅ sempre |
| Bug fix complexo (>1h estimado) | ✅ use /generate-bugfix-design
|
| Refactor arquitetural | ✅ Design + Architect explícitos |
| POC descartável | ⚠️ overkill — Vibe Coding serve |
| Hello world / spike de aprendizado | ❌ não use |
| Script one-shot (<50 linhas) | ❌ não use |
🎯 Princípio resumo
Humanos pensam. IAs executam. Checkpoints validam.
Toda tentativa de violar isso degrada a qualidade do output.
🔗 Próxima leitura
- Ralph Loop em profundidade
- Glossário de termos
- Comparação com outras metodologias
- FAQ